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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016




Kumite

A luta técnica do karatê é chamada, kumite. Para isso, deve-se estudar bem as técnicas básicas kihon e kata. Esse é o conjunto que forma a didática do karate-dô - kihon (fundamentos), kata (movimentos de defesa e contra-ataque contra vários adversários imaginários) e kumite (combate técnico).

Não se deve ultrapassar as fases que normalmente, o iniciante prefere, "lutar primeiro". Calma, até chegar no combate técnico, muito já se treinou as técnicas individuais de kihon e kata. Cada nível tem o seu determinado tempo de aprendizagem.

A habilidade de um praticante consiste em evitar utilizar o corpo diretamente, mediante a força bruta. Em artes marciais compreendemos que a luta é uma troca de informações de um praticante para outro. Para isso, é necessário uma grande dose de dedicação nos treinamentos fazendo com que se aumente a velocidade dos olhos, mãos, pés e atenção.

Nessa fase, voltamos ao princípio dos treinamentos do karatê onde aprendemos a forma correta de golpear com os punhos, cotovelos, joelhos e pés utilizando por outro lado, as defesas que fazem parte das técnicas de defesa e contra-ataques com paradas súbitas ou lentas do kata.

Entender a técnica do kumite é importante entre dois praticantes. Diferente dos confrontos de rua, que é diferente. Enquanto se treina com regras na academia, não podem haver feridos; no combate de rua, não tem regras e devemos evitar ao máximo, pois as consequências não são nada boas. A sociedade nunca esteve tão complexa e a violência está sempre em evidência à transgressão à moral social. Afim de não tornarmos pessoas inclinadas ao mal, devemos sempre nos fiscalizarmos.

Contudo, todo o praticante de nível avançado deve fazer treinamento de defesa pessoal (goshin-jutsu) para evitar causar dano à outra pessoa. Mesmo na defesa, é possível ao travar ou bloquear um braço de um atacante armado, machucar seriamente o agressor, não por querer, mas porque o agressor tenta reagir e acaba se machucando ou se ferindo gravemente.

Todo provocador, desafiador ou agressor se encontra em uma situação de desespero, portanto numa situação física de tensão, quando o corpo fica muito rígido, é nessa fase que o caluniador se encontra vulnerável pois está numa posição fora de equilíbrio emocional, de atitude imprudente, desequilibrado socialmente, desespero e sem noção de sua atitude imprudente e irresponsável. É nesse momento que ele esboçando um golpe com uma arma, o defensor pode sem querer quebrar seu braço ou golpeá-lo por reflexo. É fato, ninguém pode agredir outra pessoa gratuitamente. Se isso acontecer, o defensor deve confortavelmente se defender.

O karateka bem preparado sempre está seguro de si e com o estado de espírito de naturalidade, reflexo do seu contato diário com o seu treinamento. Assim, não precisamos enfrentar o perigo desnecessariamente e as possibilidades de nos envolvermos em conflitos, se tornam menos do que as pessoas que não sabem se cuidar. O verdadeiro praticante (budoka) sabe o momento certo de agir, momento extremo. Assim, estaremos sempre lembrando da regra do dojo kun de conter o espírito de agressão destrutiva e respeito acima de tudo.






O kumite é importante? Nossas experiências mostram que sim. Pois, sem esse entendimento não seria completo o que se pretende com o karate-dô, no sentido global da arte, a defesa.

Contudo, o kumite é de suma importância, pois se deseja com isso um melhor entendimento nas relações humanas. Mostrando o quanto já superamos barreiras, obstáculos e o quanto foi testados os nossos limites.

Nesse sentido, se não houver kumite, não estaremos preparados para a vida dura. Tecnicamente, a parte principal do karate-dô, é o punho e esse deve ser treinado a vida toda. Não esquecendo que o dojo kun nos direciona para um entendimento filosófico da arte. Não precisamos fazer guerra, pois o nosso inimigo maior não está fora e sim dentro de cada um de nós. Não precisamos, simplesmente, ficar imitando os outros, mostrando também, que somos "brigões", melhor para imitar, são os macacos.

O que queremos com o kumite, é algo que vai além da luta física, o entendimento ao outro. Assim, nossa sociedade não sofreria tanto às inconsequências dos abusos, desentendimentos e falta de respeito causados por inconseqüentes que a sociedade, às vezes, os chamam de doentes, na verdade, homens sem educação, arruaceiros ou bandidos.

O kumite é importante porque nos revela, aqui termina o meu direito e aqui, começa o direito do outro. Só é possível entender o kumite se o praticante entender o que vem antes e depois do kumite.

Concluindo, tudo tem um motivo para tanto, ninguém faz algo só por fazer. Assim, é o estudo do kumite, lutamos não para destruir e sim para construir. Nada de ficar imitando os outros com postura anti-social achando que é bonito. Somos homens capazes de desenvolver habilidades no kumite racional e inteligentemente. Não precisamos chegar destruindo para dizermos que "somos os bons", isso não reflete o karate-dô do mestre Funakoshi, o karate-dô do meu mestre Seiji Nakayama.

A finalidade do kumite é construir um nível de respeito no que diz a máxima do dojo kun. Muitos praticantes conhecem o dojo kun, poucos entendem o seu verdadeiro significado. Quem treina karate-dô não pode continuar pensando que é um homem comum. Ou mudamos a forma de pensar como homens primitivos ou nunca alcançaremos o entendimento de fudoshin shotokan karate-dô.